A Reforma Tributária trouxe o cashback de impostos para famílias de baixa renda. Entenda como funciona, quem terá direito e qual o impacto dessa medida na justiça fiscal e social do Brasil.
O que é o cashback da Reforma Tributária?
Você já ouviu falar em cashback no varejo, certo? Aquela devolução de parte do valor gasto em uma compra. Agora, esse conceito chegou à Reforma Tributária como um mecanismo para promover justiça social e equidade.
A ideia é simples: devolver parte do imposto pago (CBS e IBS) para famílias de baixa renda cadastradas no CadÚnico, ajudando a reduzir desigualdades.
Base legal: EC 132/2023 e LC 214/2025
- Emenda Constitucional 132/2023: instituiu o princípio da justiça tributária, que busca equilíbrio entre arrecadação e capacidade contributiva.
- Lei Complementar 214/2025: regulamentou o cashback, garantindo devolução de valores pagos em impostos sobre itens essenciais.
Essa inovação segue práticas internacionais e reforça o papel redistributivo da tributação.
Como o cashback vai funcionar?
O cashback será uma devolução personalizada de parte do CBS/IBS pago pelas famílias de baixa renda.
Regras principais:
- Beneficiários: famílias com renda de até meio salário-mínimo per capita, inscritas no CadÚnico.
- Produtos elegíveis: itens essenciais de consumo domiciliar, como energia elétrica, abastecimento de água e botijão de gás (13kg).
- Percentual: em casos específicos, como no gás de cozinha, o reembolso poderá chegar a 100% do valor da CBS.
- Forma de recebimento: poderá ocorrer por dedução direta em contas de consumo (água, energia) ou por devolução em dinheiro, conforme regulamentos complementares.
Impacto social do cashback
O cashback representa uma inovação no sistema tributário:
- Redistribuição de renda indireta, reduzindo o peso dos tributos sobre os mais pobres.
- Justiça fiscal, ao aplicar o princípio da capacidade contributiva — quem tem menos paga proporcionalmente menos.
- Apoio a famílias vulneráveis, garantindo acesso a bens essenciais.
O que dizem nossos especialistas?
Embora seja visto como um avanço, especialistas apontam nuances importantes:
- O cashback pode ser entendido como justiça fiscal, e não como programa de transferência de renda.
- Medidas como a redução de tributos na cesta básica ainda não asseguram equidade plena.
- A devolução em dinheiro ou na forma de abatimento em contas mensais é uma forma prática da intenção da capacidade contributiva, e correção das desigualdades na incidência de tributos.
Em outras palavras: o cashback é um passo relevante, mas precisa ser acompanhado de outras políticas para realmente reduzir as diferenças sociais.
Conclusão
O cashback na Reforma Tributária une simplificação tributária e justiça fiscal. Mais do que aliviar o orçamento das famílias de baixa renda, ele fortalece o princípio da equidade no sistema tributário brasileiro.
Para contadores, empresários e operadores fiscais, é essencial acompanhar de perto a regulamentação dessa medida, já que ela representa um novo capítulo na gestão de tributos sobre o consumo.




