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Reforma Tributária

NFS-e Via no pedágio: como garantir créditos de IBS e CBS com o RPV

27/05/2026

NFS-e Via e pedágio: como estruturar o processo para garantir créditos de IBS e CBS

A emissão da NFS-e Via atende a evolução da Reforma Tributária do Consumo, nas operações de pedágio passa a exigir atenção especial das empresas — principalmente no que diz respeito à recuperação de créditos de IBS e CBS.

Para os contribuintes que utilizam veículos corporativos, o processo operacional está centrado em dois elementos-chave:

  • o Registro de Passagem Veicular (RPV)
  • a consulta pública da NFS-e Via
  • e a manifestação do tomador

A correta gestão dessas etapas é o que garante a validação da despesa e o direito ao crédito tributário.

Neste artigo, você confere o passo a passo prático e os pontos críticos para não perder créditos tributários.

 

O que é o RPV e por que ele é essencial no pedágio?

O Recibo de Passagem Veicular (RPV) é o documento disponibilizado pela concessionária no momento da passagem pelo pedágio.

Atenção:
O RPV não é o documento fiscal, mas sim a chave que permite acessá-lo, contendo:

  • Chave de acesso da NFS-e Via
  • Valor da operação
  • Tributos incidentes (ISS, CBS e IBS)
  • QR Code para consulta
  • Link para o ambiente público

Resumo prático:

O RPV funciona como a “ponte” entre a operação física e o documento fiscal eletrônico.

 

Como funciona o processo da NFS-e Via no pedágio?

Etapa 1: Passagem do veículo pela praça de pedágio

O processo começa quando o veículo cruza a praça de pedágio, seja em:

  • Cabines manuais
  • Cabines automáticas
  • Sistemas free-flow

Nesse ponto, a concessionária registra captura dados como:

  • Placa do veículo
  • Categoria
  • Número de eixos
  • Data e hora da passagem
  • Sentido da via

Esses dados são base para a emissão da NFS-e Via.

Etapa 2: Emissão da NFS-e Via e disponibilização do RPV

Com base nos dados capturados, a concessionária:

  1. Emite a NFS-e Via correspondente à passagem
  2. Gera o RPV, com a chave de acesso

O RPV pode ser disponibilizado por diferentes canais:

  • Aplicativos
  • E-mail
  • Sistemas de tag
  • Impressão no local (quando aplicável)

Primeiro ponto crítico:
Se a empresa não obtém o RPV, não consegue acessar o documento fiscal.

Etapa 3: Consulta pública da NFS-e e manifestação do tomador

Com a chave de acesso (ou via QR Code), a empresa acessa:

Consulta Pública da NFS-e Via{chavedeacesso}

Nesse ambiente é possível:

  • Visualizar o DANFS-e Via
  • Confirmar os dados da operação
  • Realizar a manifestação do tomador

 

Manifestação do tomador: o que é e por que impacta o crédito?

A manifestação do tomador é a etapa que:

  • Confirma a prestação do serviço
  • Vincula a operação ao CNPJ da empresa
  • Habilita o direito ao crédito tributário de IBS e CBS

Portanto, sem essa confirmação, o crédito pode ser questionado ou até desconsiderado.

Esse ponto é especialmente relevante dentro da lógica da não cumulatividade da CBS e do IBS, conforme a LC 214/2025.

 

Como funciona o crédito de IBS e CBS no pedágio?

 Etapa 4: Apropriação dos créditos tributários

A despesa com pedágio, em regra, é considerada:

  • insumo da atividade empresarial

Por isso, permite o aproveitamento de créditos de:

  • IBS (estadual e municipal)
  • CBS (federal)

Regra de transição: atenção ao período de 2026 a 2033

E durante o período de transição da Reforma Tributária:

  • Haverá convivência com PIS e COFINS (até 2026)

 

Atenção à transição (2026–2033)

Da mesma forma, durante esse período:

  • As bases de cálculo de IBS e CBS serão gradualmente ajustadas
  • A NFS-e Via já contempla campos específicos para:
    • CBS
    • IBS (dual)
    • PIS/COFINS (fase inicial)
    • ISS (transição)

Ou seja: o próprio layout já antecipa a convivência dos regimes.

Isso permite uma transição estruturada — mas exige controle das empresas.

 

Como evitar perda de crédito no pedágio?

Boas práticas para empresas

Para evitar perda de créditos, as empresas devem estruturar um processo interno que garanta:

Checklist prático:

  • Captura sistemática de todos os RPVs das passagens
  • Consulta e validação das NFS-e Via regularmente
  • Realizar Manifestação do tomador dentro do prazo
  • Integração com a escrituração fiscal
  • Controlar despesas por veículo, centro de custo ou contrato

Empresas que não estruturarem esse fluxo correm risco de perda financeira direta.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Principais riscos fiscais

A falta de controle sobre a NFS-e Via pode gerar:

  • Perda de créditos de IBS e CBS
  • Inconsistências e comprometimento na apuração fiscal
  • Problemas em fiscalizações futuras
  • Desalinhamento com a LC 214/2025

 

Conclusão: o pedágio virou tema estratégico

Com a Reforma Tributária, o pedágio deixa de ser apenas uma despesa operacional.

Em outras palavras, ele passa a exigir:

  • controle fiscal estruturado e rastreável

Para garantir conformidade e crédito tributário, a empresa precisa cumprir três etapas:

→ Obter o RPV
→ Consultar a NFS-e Via
→ Manifestar a operação

 

Em um cenário de fiscalização cada vez mais digital, governança sobre documentos fiscais de pedágio deixa de ser operacional e passa a ser estratégica.

♦ Simples na teoria.
♦ Estratégico na prática.

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